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Acne: o que é, causas, sintomas, tratamentos e como evitar as espinhas e cravos no rosto e corpo

Muito se ouve falar sobre acne: essa lesão, caracterizada por cravos e espinhas no rosto e corpo, pode surgir tanto na adolescência quanto na fase adulta e é mais comum em pessoas com a pele oleosa. Mas, mesmo com tanta informação, ainda restam dúvidas referentes às suas causas, ao melhor tratamento e até sobre como evitar o aparecimento dessa inflamação tão incômoda. Por que nasce espinha? O que são os cravos? Como diminuir a aparência de poros abertos? Para esclarecer essas e outras questões sobre o assunto, o DermaClub reuniu opiniões de um time de dermatologistas sobre o problema de pele. Confira!

1. O que é acne?

1.1. No que consiste a acne?

A acne nada mais é que uma lesão causada pelo aumento da produção de sebo vinda das glândulas sebáceas. Esse excesso de oleosidade deixa os poros obstruídos e aumenta a proliferação de bactérias, resultando nos comedões, que chamamos mais comumente de cravos. Quando ocorre a inflamação, chamamos de espinha. Essas condições são classificadas em graus.

1.2. Espinha e cravo: pele pode apresentar vários graus da acne

Acne não inflamatória:

Grau 1 - acne comedônica, composta por “cravos” abertos ou fechados;

Acne inflamatória:

Grau 2 - Acne pápulo-pustulosa, apresentando lesões dolorosas, avermelhadas e elevadas, podendo ter secreção amarelada no seu interior;
Grau 3 - Acne nódulo-cística, mostrando lesões nodulares, podendo ter pus no seu interior;
Grau 4 - Acne conglobata, com lesões maiores e com grande saída de secreção. Tendência à formação de cicatrizes;
Grau 5 - Acne fulminante, com grande processo inflamatório na pele, com possibilidade de febre e mal estar. Grande tendência cicatricial.

De acordo com a dermatologista Juliana Jordão, de Curitiba, a acne tem uma incidência maior na adolescência, mais especificamente na puberdade - fase em que os jovens passam por uma grande transformação hormonal. Mas, da mesma forma que para alguns, cravos e espinhas se tornam um problema temporário, para outros pode durar anos. A condição ainda pode aparecer depois da adolescência, a partir dos 25 anos, tendo tido início nessa época ou se estendido desde a juventude - é a chamada acne adulta. No entanto, essas lesões costumam ser inflamatórias, com baixa presença de cravo.  

“Além disso, a inflamação pode surgir na gestação ou ser secundária a algumas alterações hormonais, como na síndrome do ovário policístico ou em distúrbios da glândula suprarrenal”, esclareceu.

A verdade é que ninguém está livre de ter acne. Uma pessoa com espinha pode, sim, ter pele oleosa e mista, no entanto, quem tem o tipo seca e normal também pode apresentar essas lesões em certos períodos, como na pré-menstruação, em momentos de estresse ou em uma temporada de má alimentação.

2. O que causa acne?

 

2.1. Por que nasce espinha?

Existem muitos fatores capazes de causar a acne. Porém, o principal e mais comum - especialmente na pele oleosa - é o excesso de oleosidade na região. Esse problema ainda pode piorar no rosto de quem faz uma limpeza inadequada, esquece de lavar o rosto à noite, ou usa maquiagem e não remove os cosméticos antes de dormir. Entre outras causas, lesões de cravos e espinhas podem ser originadas por vários fatores.

2.2. Causas da acne

O aparecimento do quadro da acne é favorecido pela junção dos seguintes fatores:

Hiperqueratinização folicular: acontece uma proliferação demasiada de queratinócitos - células da pele - que favorece a formação de comedões;

Colonização de bactérias: protagonizada pela bactéria Propionibacterium acnes, que  se alimenta do sebo produzido pelas glândulas sebáceas;

Resposta imunológica e inflamatória: neste caso, a contaminação de bactérias remete à liberação de mediadores inflamatórios.

Existem alguns hábitos diários que também podem favorecer o surgimento da acne. Entre eles, estão:

Dormir de maquiagem: isso faz com que os resíduos dos cosméticos obstruam os poros, favorecendo o surgimento de cravos e espinhas;

Medicamentos: efeitos colaterais de alguns remédios podem causar o surgimento de acne, como, por exemplo, o uso de corticoides;

Alimentação: gordura, doces e o consumo de farinha branca acabam estimulando a produção de glândulas sebáceas, que reflete no aumento da oleosidade da pele;

Estresse: proporciona um desequilíbrio hormonal, que agrava ou motiva o aumento da oleosidade e a piora de cravos e espinhas.

3. Sintomas de acne 

3.1. Tipos de acne

A acne - que pode surgir em regiões diferentes além do rosto - possui vários tipos, como:

Corporal: De acordo com a Dra. Lilia Guadanhim, de São Paulo, é comum em pacientes que têm a pele do corpo oleosa - principalmente na região das costas, ombros, colo e glúteo - e aqueles que costumam usar produtos gordurosos, da mesma forma que o clima quente colabora para o quadro;

Solar: está ligada ao excesso de radiação ultravioleta. O sol aumenta a produção de sebo e diminui as células de defesa, piorando ou gerando a acne. O cenário costuma se intensificar principalmente no verão, atingindo regiões como rosto, ombros, tórax, pescoço e costas;

Hormonal: surge devido à alteração hormonal que acontece em momentos específicos da vida, como a puberdade, gravidez e menopausa.

3.2. Tipos de espinhas e cravos

Comedônica: caracterizada pela presença de cravos - os comedões -, principalmente na testa, bochechas e nariz;

Pápulo-pustulosa: apresenta lesões de cravos e espinhas com aparência vermelha, inflamadas, dolorosas e, na maioria das vezes, com pus; 

Nódulo-cística: são nódulos inflamados, chamados muitas vezes de espinhas internas;

Conglobata: caracterizada pela presença de cistos ou nódulos inflamados próximos uns dos outros e a formação de cicatrizes é muito comum;

Fulminans: o tipo mais raro e grave. As lesões são acompanhadas de febre, fraqueza e dor muscular e acaba sendo mais comum em homens.

3.3. Espinhas externas e internas - qual a diferença?

Chamadas de pápulas eritematosas inflamatórias, as espinhas internas são lesões que não evoluem para pústula - quando há pus visível - ao contrário da espinha externa - que logo erupciona. De acordo com a dermatologista Vanessa Metz, do Rio de Janeiro, elas podem até dar o ar da graça com o tempo, mas, quando não acontece, ficam mais doloridas.

A acne interna, assim como as outras, surge com o entupimento das glândulas sebáceas por conta do acúmulo de sebo. A única diferença neste caso, é que o excesso se torna tão grande que acaba obstruindo totalmente, evitando a saída do pus.

3.4. Cicatrizes, manchas e marcas de acne

Segundo a Dra. Vanessa, as manchas e marcas de acne acontecem devido à produção de melanina, causada pelas próprias inflamações cutâneas. “Juntando o processo inflamatório com a própria tendência de produzir coloração à pele, o resultado é a pigmentação pós inflamatória”.

Tipos de mancha de espinha:

- Arroxeadas;

- Vermelhas;

- Marrons.

Tipos de cicatrizes de acne:

- Atróficas: parecidas com um buraquinho;

- Hipertróficas: inchadas e sobressaídas.

Como tratar:

Para evitar as manchas na pele, o ideal é apostar no uso diário do filtro solar facial com FPS 30, no mínimo, para proteger as lesões da radiação e evitar queimaduras, além de dermocosméticos com ativos despigmentantes, usados para combater a acne e, ao mesmo tempo, auxiliar na prevenção de manchas. Agora, quando a marca está formada, ela pode ser tratada com procedimentos clínicos, como peelings ou clareadores e laser ou luz pulsada - em casos mais graves.

3.5. Espinhas no queixo, testa, nariz e bochechas: porque as lesões surgem em diferentes regiões?

A dermatologista Juliana Neiva, do Rio de Janeiro, afirma que a acne pode surgir em qualquer área do rosto e ao longo do corpo, principalmente na chamada zona “T” - testa, nariz e queixo - e nas bochechas. “São áreas ricas em folículos pilossebáceos e glândulas sebáceas, por essa razão, aparecem espinhas no local”, explicou. O aparecimento de uma espinha no pescoço ou no colo também é bastante comum, já que essas áreas também podem ser bastante oleosas. No entanto, os graus da acne podem ser diferentes nas diversas regiões: você pode ter um tipo de espinha na testa, por exemplo, de grau 3, ao mesmo tempo que tem espinhas nas costas de grau 2.

3.6. Poros abertos ou dilatados

Outro sintoma que costuma vir associado à acne e à pele oleosa é o de poros dilatados - também chamados de “poros abertos”. De acordo com a dermatologista Valéria Marcondes, de São Paulo, o que acontece é que esses orifícios se dilatam por conta do aumento da produção de sebo pelas glândulas sebáceas, bem como por causa do acúmulo de resíduos na superfície da pele, como poluição e maquiagem.

4. Como combater a acne?

4.1. Tratamentos, medicamentos e ativos

O tratamento vai depender de cada caso, tipo de acne e paciente a ser medicado: o dermatologista poderá indicar os melhores produtos para combater espinhas e cravos no seu quadro. Entretanto, existem ativos e cuidados que colaboram para a diminuição das lesões, como, por exemplo:

Ácido salicílico: um beta-hidroxiácido com propriedades esfoliantes e seborreguladores. Ele possui ação anti-inflamatória e renova a pele do rosto e corpo removendo as células mortas e o excesso de oleosidade. Vale apostar numa loção adstringente ou sabonete de ácido salicílico, por exemplo;

Niacinamida: uma vitamina do complexo B com ação anti-inflamatória;

Ácido glicólico: um alfa-hidroxiácido que promove renovação celular, muito utilizado para a redução de lesões de acne, seja em forma de peeling ou em dermocosmético, em concentrações menores;

Retinol: conhecido como derivado da vitamina A, ele possui diversos benefícios para a pele acneica - promove uma esfoliação, removendo as células mortas; ajuda a reduzir o tamanho dos poros e a controlar a oleosidade; suaviza as cicatrizes e marcas mais difíceis, como é o caso da mancha de espinha; e tem efeito clareador.

4.2. Anticoncepcional para acne

Mais que prevenir a gravidez, as pílulas anticoncepcionais atuam na regularização dos ciclos menstruais, diminuição de dores e inchaços, entre vários fatores. Além dessas funções, a dermatologista Christiane Gonzaga, do Rio de Janeiro, ainda completa, dizendo que outros problemas decorrentes de disfunções hormonais também podem surtir melhora com o uso do contraceptivo, como a acne. “A pílula traz benefícios, pois atua na diminuição da produção de sebo e oleosidade da pele”, afirmou.

Por outro lado, as mulheres que possuem hormônios andrógenos podem observar uma região mais oleosa e propensa à formação de cravos e espinhas. “Por isso, é importante optar por um anticoncepcional que contenha estrogênio e progesterona, reduzindo a quantidade de andrógenos no corpo”, atentou.

4.3. Rotina de limpeza: cuidados com a pele acneica

Para prevenir e controlar as lesões acneicas, principalmente na pele oleosa, é fundamental praticar alguns gestos diários, como a limpeza da pele. Todo dia de manhã, é importante lavar o rosto com um produto específico recomendado pelo seu dermatologista - como o sabonete de ácido salicílico -, para evitar o excesso de oleosidade na região e, consequentemente, o entupimento dos poros - que faz levar ao surgimento de cravos e espinhas. Depois, você pode usar uma loção adstringente seguida de um hidratante leve com ação antiacne e, por fim, um protetor solar de toque seco. À noite, é importante repetir o processo, substituindo o protetor solar por um tratamento secativo localizado.

4.4. Posso espremer as espinhas?

Para evitar a piora do quadro, é importante não sucumbir à tentação de espremer as espinhas. De acordo com a Dra. Vanessa Metz, “se houver a manipulação da lesão e a pele não estiver limpa, as bactérias que ficam embaixo da unha podem entrar, formando um cisto”, explicou.

5. Mitos e verdades sobre a acne

 

5.1. Para evitar a acne, é preciso lavar o rosto muitas vezes ao dia com um sabonete secativo? Mito!

Você já ouviu falar no efeito rebote da oleosidade? Está associado ao aumento de produção de óleo na pele, que ocorre justamente quando queremos removê-lo.  De acordo com a Dra. Christiane Gonzaga, “ele acontece porque ao utilizar produtos destinados a conter o excesso de óleo no rosto, retira-se também a hidratação natural da pele. Dessa forma, em uma tentativa de proteção, o organismo responde produzindo ainda mais sebo cutâneo”, afirmou. Esse sistema pode acontecer em qualquer tipo de pele e causar a obstrução dos poros, gerando a acne. Para fugir do efeito rebote, invista em hidratantes adequados ao seu caso e lave o rosto de acordo com as recomendações do seu dermatologista.

5.2. A exposição ao sol seca as espinhas? Mito!

Mas o contrário é verdadeiro: a acne pode surgir com o excesso de exposição solar, por conta do excesso de queimaduras provocadas pela radiação. Porém, quem tem a pele oleosa ou acneica pode, sim, tomar banho de sol de forma mais leve e segura. “Os horários ideais são antes das dez horas da manhã e depois das quatro horas da tarde. E os filtros livres de óleo ou com textura em gel-creme são as melhores opções. É importante lembrar de reaplicá-lo a cada duas horas para evitar manchas”, disse a Dra. Vanessa Metz.

5.3. Fazer exercício físico regularmente ajuda a diminuir a acne? Verdade!

Praticar exercícios físicos é muito bom para o organismo e também para a pele. Isso por que a atividade, praticada sem exageros e com orientação, é capaz de minimizar os níveis de estresse e contribuir para a diminuição do hormônio cortisol - que em seu alto nível pode provocar a acne. Para que o resultado seja eficaz, combine essa prática com uma rotina de beleza regrada.

5.4. Chocolate dá espinha? Mito!

Chocolate causa espinha? Ao contrário do que muitas pessoas pensam, não é o cacau em si que faz a acne aparecer, mas, sim, a quantidade de açúcar que existe em certos tipos de chocolate. É o que fala a dermatologista Daniela Pimentel, de São Paulo: “A glicose chega no sangue rapidamente e estimula um pico de insulina, responsável por levar o açúcar para dentro da célula. É esse pico que pode agravar a acne nos pacientes com predisposição para o quadro”. Sendo assim, coma a sobremesa com moderação e prefira os do tipo amargo ou meio amargo - que estimulam a circulação, possui antioxidantes e ainda promove a sensação de bem-estar.

5.5. Durante o período menstrual, as espinhas aparecem com mais frequência? Verdade!

Durante a menstruação, muitas alterações hormonais acontecem no organismo e isso acaba refletindo na pele. As mudanças podem causar o excesso de oleosidade no rosto, o entupimento dos poros, formando, assim, as lesões de acne. Para driblar esse cenário, mantenha sua pele sempre limpa, hidratada, removendo a maquiagem antes de dormir e apostando em produtos que controlem o excesso de brilho durante o dia.

Se ainda ficou com dúvidas sobre a acne, não deixe de ler outras matérias sobre o assunto no DermaClub!

Dermatologista:

Dra. Juliana Jordão / CRM: 23783

Graduada pela Faculdade Evangélica do Paraná e especialista em dermatologia pelo Hospital Universitário Evangélico de Curitiba e em Clinical Fellowship em Laserterapia na Bélgica. É membro Titular da Sociedade Brasileira de Dermatologia e da Sociedade Brasileira de Cirurgia Dermatológica. Atualmente ministrando aulas de Laserterapia e Cosmiatria nos Congressos Brasileiro de Dermatologia, de Cirurgia Dermatológica, Simpósio Anual de Cosmiatria e Laser, entre outros. Além de aplicar treinamento em Fotodermatologia para outros médicos dermatologistas em diversas cidades do Brasil.

*Os dermatologistas especialistas são consultados como fontes jornalísticas e não se utilizam deste espaço para a promoção de qualquer produto ou marca. Para saber qual é o tratamento ideal para a sua pele, consulte um dermatologista da Sociedade Brasileira de Dermatologia.

Saiba mais sobre o tratamento para a acne no vídeo abaixo:

** Esta matéria foi atualizada no dia 17/10/2018.

Publicado em: Quinta-feira 15 de março de 2018 - 13h36

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