Queloide é uma cicatriz volumosa de cor vermelha ou escura, que pode surgir em qualquer parte do corpo que passou por algum trauma, como, por exemplo, cirurgias, queimaduras, perfurações de vacinas, cortes profundos e até mesmo tatuagens. Você sabe tudo sobre essa marca incômoda na pele? A fim de esclarecer todas as dúvidas, o DermaClub conversou com um grupo de dermatologistas que desvendou as causas, tratamentos e mitos referentes a estas cicatrizes. Veja só!

1. O que é queloide?

De acordo com a Dra. Christiane Gonzaga, do Rio de Janeiro, o queloide ou cicatriz queloidiana é uma protuberância causada pelo excesso de proteína (colágeno) na pele que acontece devido a um processo demasiado de cicatrização - como se as células não soubessem o momento certo de parar de produzir um novo tecido para a pele. “Essa marca volumosa aparece depois de um ferimento ou problema ter sido curado, como uma incisão cirúrgica ou acne”, explicou. Entretanto, também é muito frequente aparecer nas orelhas após a colocação de brincos e piercing.

1.1. Queloide x cicatriz hipertrófica

Existem dois principais tipos de cicatrizes indesejáveis: as hipertróficas e os queloides. De acordo com a dermatologista Nicole Perim, de Belo Horizonte, “ambas são reflexos de um processo exagerado de cicatrização que formam marcas elevadas, avermelhadas ou acastanhadas - dependendo do tom da pele - que podem ser acompanhadas de coceira local”. Embora sejam similares, a médica destaca algumas diferenças entre as lesões:

Cicatriz hipertrófica: esse tipo não ultrapassa os limites da lesão, ou seja, não cresce além da linha do corte, atingindo apenas a pele ao redor. São cicatrizes elevadas, mas que não se tornam mais largas que a lesão inicial.

Quelóide: ocorre uma elevação nos tecidos ao redor da cicatriz inicial, acometendo uma área onde antes não havia cicatriz. Um exemplo comum de lesões queloideanas são os nódulos que ocorrem no lóbulo da orelha após colocação de brincos.

2. O que causa queloide?

A Dra. Flávia Addor, de São Paulo, afirma que existem muitos fatores que podem causar o queloide e que essa cicatriz costuma afetar pessoas mais predispostas ao problema: “Pacientes negros e orientais possuem maiores chances de desenvolver queloide”, explicou.

2.1. Causas do queloide

- Cortes de cirurgias
- Acne severa
- Queimaduras
- Furos nas orelhas
- Tatuagens
- Feridas traumáticas
- Marcas de vacinas

2.2. Como o queloide se manifesta

- Cicatrizes com relevo elevado;
- Em alguns casos, podem ocorrer nódulos na pele;
- Mudança de tonalidade local da pele para vermelho ou castanho.

3. Como prevenir o queloide?

É possível evitar a formação do queloide em alguns casos. Segundo a dermatologista Daniela Pimentel, de São Paulo, essa prevenção funciona, principalmente, durante a realização de alguns procedimentos cirúrgicos. Mas, para que isso aconteça, é importante o paciente avisar ao médico sobre a existência do caso no histórico pessoal ou familiar. “Assim, o dermatologista pode tomar as medidas necessárias para diminuir o risco da lesão”, disse.

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3.1 Maneiras de prevenir as cicatrizes:

- Radiação pré-operatória: se não for possível evitar o queloide durante a cirurgia, a radiação após o procedimento é uma forma eficaz de prevenir a ferida.

- Curativos à base de silicone: de acordo com a Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD), 34% das cicatrizes de queloide tiveram melhora após os pacientes usarem esse curativo diariamente durante seis meses.

4. Existe tratamento para queloide?

Algumas cicatrizes queloidianas reduzem lentamente ao longo dos anos, mas, podem voltar a aparecer com o tempo. Por isso, a melhor saída é tratar o problema com um dermatologista. O tipo de terapia vai depender de alguns fatores que o médico levar em consideração, como tamanho, local e a origem dessa cicatriz. Conheça algumas opções:

1) Tratamento com laser: a técnica pode reduzir a altura do queloide e fazer com que a diferença de cor da lesão para o resto da pele fique imperceptível. Entretanto, para que seja eficaz, é importante que o procedimento seja feito em conjunto com outro tratamento, como injeções de corticosteroide ou compressão.

2) Roupas de compressão: por diminuir a vascularização, vão inibir a evolução do queloide. Essas roupas são indicadas, principalmente, para pacientes com lesões extensas.

3) Crioterapia: procedimento que usa nitrogênio líquido para congelar o queloide de dentro para fora, reduzindo a firmeza e o tamanho da lesão. Funciona melhor em cicatrizes pequenas.

4) Radiação: essa opção pode ser realizada de duas maneiras - de forma isolada, para reduzir o tamanho do queloide; ou após a remoção cirúrgica da cicatriz, para prevenir o retorno da lesão.

5) Remoção cirúrgica: muitas vezes, essa se torna a única opção de tratamento, mas é importante considerar que pode haver recidiva, ou seja, o reaparecimento da lesão. Os melhores resultados em cirurgia são aqueles que removem parte do queloide e em que as incisões são realizadas não atingindo a pele ao redor da lesão - evitando o surgimento de uma nova cicatriz.

5. Mitos e verdades sobre queloide

5.1. Toda cicatriz pode virar queloide?

Mito! Nem toda cicatriz acaba virando um queloide. A cicatrização da lesão se tornará mais elevada, dependendo da profundidade, tamanho e gravidade da lesão. Além disso, é importante levar em conta se o paciente possui alguma tendência genética para esse quadro de cicatriz.

5.2. A pele com a cicatriz não pode pegar sol?

Verdade! É muito importante proteger a pele com queloide da radiação com o uso do filtro solar a fim de evitar o escurecimento do local. Para isso, é necessário apostar em um produto de amplo espectro e com FPS 30, no mínimo. Dependendo da parte do corpo lesionada, também é essencial apostar nas barreiras físicas, como chapéus, óculos escuros e roupas com proteção UV.

5.3. A alimentação pode ajudar na cicatrização adequada?

Verdade! A cicatrização da pele acontece de dentro para fora. Por isso, é ideal adotar uma alimentação saudável para que o processo ocorra normalmente. Pessoas que se alimentam de muito doce e gordura geralmente têm mais dificuldades na cicatrização. Sendo assim, é importante apostar em nutrientes ricos em colágeno, antioxidantes e água, como: laranja, morango, kiwi, ovo, carnes, peixes e pimentão verde.

5.4. Roupas apertadas podem atrapalhar a cicatrização?

Mito! Roupas mais apertadas na pele não prejudicam o processo de cicatrização. Existem até faixas elásticas que ajudam a reduzir o queloide.

Para maiores dúvidas sobre o problema de pele, não deixe de consultar seu dermatologista.