De maneira geral, o câncer da pele é hoje o mais presente na vida da população: 25% dos casos segundo o Instituto Nacional de Câncer (INCA). Ele pode ser de diversos tipos e os mais comuns são os não melanoma, como o carcinoma basocelular e o carcinoma espinocelular. O DermaClub conversou com a dermatologista Vanessa Metz, do Rio de Janeiro, que explicou o que é a doença, como identificá-la, quais os sintomas e os possíveis tratamentos. Confira!

Dermatologista explica o que é o melanoma

Segundo a médica, o melanoma pode surgir espontaneamente ou pode aparecer de uma pinta que se transformou em um tumor. “É importante ressaltar que a lesão não vai surgir necessariamente de uma pinta que você já tenha, nem toda mancha, seja ela nova ou não, irá se transformar em um câncer. O primordial é ter o acompanhamento anual de um médico”, explicou, afirmando que pode existir uma tendência pessoal do paciente para a transformação da pinta em melanoma, além da questão da exposição solar.

Em que regiões do corpo é mais comum surgir o melanoma?

O contato com os raios solares não é o motivo exclusivo de estímulo às lesões, já que a doença pode aparecer em áreas que não são muito expostas. “O melanoma não vai aparecer somente em braços, rosto ou colo, mas também pode surgir em áreas totalmente cobertas pelo biquíni, como, por exemplo, nas nádegas ou seios. Ele pode surgir em qualquer área do corpo que tenha melanócitos - células que produzem melanina”, afirmou.

Descubra como identificar o câncer de pele

De acordo com a especialista, é possível identificar o problema de diversas formas. “Deve-se procurar a ajuda de um médico quando a pessoa perceber o surgimento de uma pinta nova, ou quando há uma evolução fora do comum de uma já existente. Nesses casos é preciso estar atento ao ABCDE do melanoma”, esclareceu, explicando o significado da sigla:

- A de assimetria: a pinta não é redonda, oval, ou ainda que possua contornos e coloração mal distribuídos em torno do centro;
- B de bordas: as bordas da pinta são irregulares e difusas;
- C de cor: a pinta possui diversas cores como vermelho, marrom, branco, entre outras na mesma região;
- D de diâmetro: quando a pinta for maior que 5mm;
- E de evolução: se a pinta muda rapidamente de tamanho, forma, espessura ou cor

Além disso, existem alguns sintomas que podem auxiliar no momento do diagnóstico. “Se o sinal passa a doer, a formar casquinhas, se passa a sangrar e não cicatriza, são situações que indicam que é preciso procurar um médico para identificar se ali existe malignidade ou não”, atentou.

Entenda como é feito o exame clínico dos casos de câncer de pele

O dermatologista é o especialista capaz de fazer o exame clínico e diagnosticar a doença. Os sinais são observados com o auxílio de uma lupa ou de um aparelho chamado dermatoscópio. “Enquanto que nos casos mais simples, o médico pode perceber facilmente a presença da doença. Nos mais difíceis, o equipamento é fundamental para auxiliar no diagnóstico. A partir dai, é possível avaliar todas as estruturas e definir se os sinais estão dentro dos critérios de malignidade ou não”, pontuou.

Se o sinal for maligno, o que fazer?

Se o médico identifica algum sinal de malignidade ou se há uma suspeita, é feita a biópsia do material, muitas vezes no próprio momento. “Quando existe a hipótese de ser um melanoma, o exame é feito no dia da consulta. Nessa prática, normalmente, toda a pinta é retirada e enviada para análise. A partir do momento em que o resultado comprova que é determinado câncer, geralmente é preciso reabrir aquela cicatriz para aumentar a margem de segurança daquela lesão, a fim de não comprometer mais a região” explicou.

Saiba quais são os estágios da doença e seus tratamentos

Segundo a dermatologista, o melanoma é caracterizado por graus de profundidade, ou seja, o quanto essa lesão aprofunda na pele. “Quando ele está no primeiro estágio de evolução o tratamento é simplesmente a retirada cirúrgica. Caso já tenha mais profundidade é preciso averiguar se há comprometimento vascular - se o melanoma acomete a corrente sanguínea, pode se espalhar pelo corpo e gerar metástases em outros órgãos que possuam células de melanócitos” esclareceu.

A médica afirmou, ainda, que em estágios mais avançados o tratamento ganha o acompanhamento de um oncologista. “Hoje já existem medicamentos para serem ingeridos nos casos não cirúrgicos ou bem avançados, com a finalidade de combater as lesões. Porém, a principal tentativa será sempre a remoção” concluiu.

*Os dermatologistas especialistas são consultados como fontes jornalísticas e não se utilizam deste espaço para a promoção de qualquer produto ou marca. Para saber qual é o tratamento ideal para a sua pele, consulte um dermatologista da Sociedade Brasileira de Dermatologia.